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Climatização ou ventilação num veleiro: o que fazer durante as ondas de calor no porto?

Veleiros num porto de recreio em Plouer-sur-Rance — arrefecer um veleiro no porto no verão
Fotografia de capa: Rundvald / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O essencial em 30 segundos

  • Numa onda de calor pontual no porto, a resposta não passa necessariamente por instalar uma climatização marinha. Muitas vezes, a sombra + circulação de ar + ventiladores bem posicionados resolvem mais rápido.
  • Um ar condicionado portátil ou um split pequeno pode ser útil, mas é preciso gerir três aspetos: ruído, evacuação do ar quente ou do grupo exterior e condensados.
  • Uma verdadeira climatização marinha a água do mar funciona bem, mas implica uma instalação: bomba, filtro, passagem de casco, rejeição de água, condutas, alimentação 230 V e segurança elétrica.
  • Ao largo, a climatização torna-se um problema energético. Sem grupo eletrogénio ou um grande parque de baterias + painéis solares, regressamos rapidamente à ventilação e à sombra.
  • Os chamados "mini ares condicionados" sem evacuação para o exterior não devem ser confundidos com verdadeiros climatizadores. Se o calor não sair do veleiro, permanece dentro do veleiro.

Veredicto Skysat — Para a maioria dos veleiros de cruzeiro, começaríamos por tratar a ventilação: toldo claro, capôs, wind scoop e ventiladores de cabine silenciosos. A climatização surge depois, para os veleiros que vivem no porto no verão, zonas muito quentes, tripulações sensíveis ao calor ou programas de vida a bordo.


1. Porque um veleiro aquece de forma diferente de uma casa

Um veleiro no porto pode tornar-se desconfortável muito rapidamente, mesmo quando a temperatura exterior não parece extrema. O teto do convés recebe o sol, os vidros aquecem, o ar circula mal entre as cabines e o veleiro permanece por vezes encurralado numa marina sem vento. Em contrapartida, ao largo, o mesmo veleiro pode tornar-se suportável simplesmente porque se posiciona de frente para o vento e os capôs funcionam melhor.

Eis a primeira diferença em relação a uma casa: num veleiro, o problema não é apenas a temperatura. É a renovação do ar. Uma cabine a 29 °C com um fluxo de ar regular pode ser mais habitável do que um salão a 27 °C sem movimento de ar.

O tópico do fórum Hisse-et-Oh que desencadeou este artigo é interessante por esta razão: os relatos não falam apenas de "colocar um ar condicionado". Falam de ruído, de espaço, de vizinhos de cais, de ventiladores, de toldos, de condensação, de rejeição de água, de zonas de navegação. É exatamente assim que se deve raciocinar.


2. Primeiro nível: sombra, capôs e circulação de ar

Antes de comprar um equipamento, é necessário limitar a energia que entra no veleiro.

A base:

  • um toldo claro acima do teto do convés e da retranca;
  • proteções solares nos vidros mais expostos;
  • capôs abertos de forma a criar um fluxo, não apenas "tudo aberto";
  • uma porta de escotilha ou uma grelha que permita a saída do ar quente;
  • se possível, uma circulação entre cabine da proa, salão e escotilha.

Não é espetacular, mas é muitas vezes o que faz a diferença entre um veleiro inabitável no porto e um veleiro simplesmente quente.

Num veleiro, a sombra é ainda mais importante do que a potência de ventilação. Um ventilador não remove os watts solares que incidem no convés. Torna o calor mais suportável. Um toldo, por sua vez, evita que parte desse calor entre.

Nota de oficina — Se um veleiro tiver grandes superfícies envidraçadas ou um teto do convés escuro, tratar a sombra pode trazer mais conforto do que adicionar mais um equipamento elétrico.


3. Ventiladores de cabine: a melhor relação eficácia / complexidade

Os ventiladores continuam a ser a solução mais simples, especialmente para dormir. Consomem pouco, não exigem passagem de casco, não manipulam fluido frigorigéneo e funcionam também ao largo.

Mas nem todos os ventiladores são iguais. Num veleiro, é necessário verificar:

  • o ruído real a baixa velocidade, não apenas o caudal máximo;
  • o consumo em 12/24 V;
  • a resistência mecânica da fixação;
  • a orientação do fluxo;
  • a possibilidade de utilização prolongada sem vibrações incómodas;
  • a proteção contra humidade e ambiente salino.

Uma boa instalação vale mais do que um ventilador muito potente mal posicionado. Numa cabine, procura-se muitas vezes um fluxo indireto: ar suficiente para secar a pele e renovar o ambiente, não um sopro agressivo no rosto durante toda a noite.

Para uma cabine ou um salão, um ventilador orientável como o Caframo Sirocco é coerente: dobra-se, orienta-se facilmente e pode funcionar durante longos períodos. Para ventilação técnica, motor ou divisória, deve-se optar por ventiladores do tipo Jabsco, mas não é o mesmo uso.

Ligações úteis:


Os nossos ventiladores de cabine e de divisória:

4. Wind scoop e ventilação natural ao largo

O wind scoop é subestimado. Trata-se de uma manga de ar que se coloca num painel do convés para captar a brisa e direcioná-la para a cabine. Ao largo, quando o veleiro se orienta naturalmente de frente para o vento, é muitas vezes muito eficaz.

As suas vantagens:

  • nenhum consumo elétrico;
  • nenhuma instalação pesada;
  • muito bom complemento para os ventiladores;
  • útil quando há pouco vento aparente no salão;
  • facilmente desmontável.

As suas limitações:

  • pouco eficaz num porto totalmente abrigado sem vento;
  • depende do formato do painel do convés;
  • deve ser guardado quando o tempo piora;
  • pode atrapalhar se os capôs tiverem de permanecer fechados.

Para a oferta Skysat, trata-se de uma família de produtos interessante: não tão "tech" como um ar condicionado, mas muito coerente com o uso real dos velejadores. Um veleiro confortável no verão raramente começa por um compressor; começa por fazer entrar ar.


5. Ares condicionados portáteis e splits de campismo: úteis, mas não mágicos

Os pequenos splits portáteis de campismo ou caravana, como o Eurom AC3201E ou o Mestic SPA-3000, respondem bem a uma situação específica: onda de calor pontual no porto, veleiro ligado a 230 V, necessidade de arrefecer uma pequena zona.

O princípio é mais credível do que um simples arrefecedor de ar: a unidade exterior rejeita o calor para fora, a unidade interior sopra ar fresco para dentro. Esta é a condição mínima para arrefecer realmente um espaço fechado.

Os pontos a verificar antes de os considerar uma solução para o veleiro:

  • ruído: a unidade exterior pode incomodar os vizinhos de cais;
  • fixação: uma escotilha ou um painel do convés não é uma janela de caravana;
  • condensados: a água deve ser recolhida ou evacuada corretamente;
  • resistência ao sal: estes produtos não são geralmente concebidos como equipamento marinho;
  • volume útil: fala-se de uma cabine ou de um pequeno salão, não de um veleiro inteiro;
  • armazenamento: são equipamentos volumosos para um uso sazonal.

No tópico do Hisse-et-Oh, o assunto do ruído surge muitas vezes. É lógico: no porto, quem não tem ar condicionado dorme com as vigias abertas. Um ar condicionado que rejeite água ou sopre ruidosamente a poucos metros torna-se rapidamente o problema do vizinho.

A nossa leitura: estes equipamentos podem ter o seu lugar no catálogo, mas com uma ficha muito prudente. Não como "ar condicionado marinho", mas sim como solução portátil para ondas de calor no porto, com condições de utilização claramente indicadas.


6. EcoFlow Wave e ares condicionados portáteis com bateria

Os ares condicionados portáteis como o EcoFlow Wave 3 acrescentam um ângulo interessante: podem funcionar com uma bateria dedicada ou através de um parque de energia corretamente dimensionado. Para a Skysat, isto é coerente com os nossos temas de baterias, painéis solares, conversores e autonomia.

O interesse:

  • sem passagem de casco;
  • utilização possível em cabine, atracado, ao largo ou num veículo;
  • frio, aquecimento e desumidificação conforme os modos;
  • integração possível numa lógica de energia a bordo.

A limitação:

  • é sempre necessário rejeitar o calor para o exterior através de condutas;
  • a autonomia depende fortemente do modo e da bateria;
  • em pleno sol, num espaço mal isolado, a potência continua limitada;
  • o ruído interior pode tornar-se incómodo à noite;
  • é necessário pensar na evacuação dos condensados.

Não se trata, portanto, de um substituto de uma verdadeira climatização marinha. É uma solução portátil para um pequeno espaço, interessante se o veleiro já tiver uma arquitetura elétrica sólida: lítio, solar, conversor, carregamento em terra.

Ligações internas úteis para preparar este tipo de utilização:


Para a energia a bordo (solar, parque de baterias):

7. Verdadeira climatização marinha instalada: quando se justifica

Uma verdadeira climatização marinha a água do mar torna-se pertinente quando a necessidade é regular:

  • veleiro habitado várias semanas no porto no verão;
  • Mediterrâneo, Antilhas, zonas tropicais ou portos muito abrigados;
  • tripulação sensível ao calor;
  • cabine do proprietário a arrefecer à noite;
  • veleiro à vela ou motorizado com espaço técnico disponível;
  • ligação a 230 V no cais ou grupo eletrogénio;
  • projeto de reforma para mais conforto.

As famílias coerentes:

  • Webasto BlueCool S-Series: gama marinha instalada, compacta, reversível;
  • Dometic / Cruisair: referência histórica da climatização marinha;
  • Climma Compact / Climma C: muito interessante em pequenos volumes;
  • Dometic Cuddy DC II: opção 12 V para pequena cabine;
  • Blue-Airco / Frigomar DC: mais premium, coerente com grandes parques de lítio.

Mas a instalação não é trivial. É necessário prever:

  • tomada de água do mar;
  • filtro de água do mar acessível;
  • bomba de circulação;
  • passagem de casco e válvula;
  • rejeição de água discreta;
  • bandeja de condensados ou evacuação;
  • condutas e grelhas;
  • proteções elétricas;
  • caminho de 230 V conforme;
  • acesso para manutenção.

O ponto mais subestimado é muitas vezes a rejeição de água. Num porto, uma "pisseta" que caia de algumas dezenas de centímetros pode tornar-se muito ruidosa à noite. Uma montagem correta deve pensar no conforto a bordo, mas também no do cais.

Posição Skysat — Uma verdadeira climatização marinha deve ser vendida como um projeto de instalação ou um pré-estudo, não como um simples produto para colocar no carrinho. O dimensionamento depende do volume, do isolamento, do programa, da alimentação disponível e do espaço técnico.


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A Skysat estuda o seu projeto de conforto / energia a bordo: viabilidade, dimensionamento, passagem de casco, alimentação, rejeição de água e manutenção. Não colocamos um compressor no carrinho — concebemos uma instalação que funciona, tanto a bordo como no cais.

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8. Erros a evitar

Confundir arrefecedor evaporativo com climatização

Um arrefecedor que humedece o ar pode dar uma sensação de frescura num clima muito seco. Num veleiro na Europa, no porto, perto da água, é muito menos convincente. E, acima de tudo: se nenhum tubo, permutador ou grupo exterior rejeitar o calor para fora, não se trata de uma verdadeira climatização.

Comprar demasiado potente sem tratar do ar

Arrefecer um salão sem circulação para as cabines pode resultar num veleiro desconfortável: demasiado frio num local, sempre quente noutro. A distribuição de ar é tão importante como a potência.

Esquecer os condensados

Qualquer verdadeira climatização desumidifica. Esta água deve ir para algum lado. No porto, é gerível. Em navegação, uma bandeja ou um tubo mal concebido pode tornar-se um verdadeiro problema.

Subestimar o ruído

O ruído interior incomoda a tripulação. O ruído exterior incomoda o cais. Ambos contam.

Pensar apenas em "fresco"

Uma boa estratégia de conforto combina sombra, isolamento, ventilação, desumidificação e, eventualmente, climatização. O compressor chega por último, não em primeiro lugar.


9. Recomendações por caso de uso

Veleiro no Canal da Mancha ou Atlântico Norte, onda de calor rara

Prioridade: sombra, capôs, ventiladores silenciosos. Uma climatização instalada raramente é prioritária. Um pequeno split portátil pode justificar-se se o veleiro permanecer frequentemente no porto e a tripulação dormir mal durante os picos de calor.

Veleiro no Mediterrâneo, cruzeiro estival

Prioridade: toldo sério, wind scoop, ventiladores na cabine. Se o veleiro viver no porto ou se as noites ultrapassarem regularmente o limiar de conforto, considerar um split portátil ou uma verdadeira climatização marinha de pequena potência.

Liveaboard no porto durante vários meses por ano

A verdadeira climatização marinha torna-se defensável. É necessário raciocinar em termos de instalação: ruído, rejeição de água, condensados, filtro, manutenção, 230 V, acesso à manutenção.

Catamarã ou veleiro com grande parque de lítio

Uma solução portátil como a EcoFlow ou uma climatização DC pode ser pertinente, mas apenas após balanço energético. O frio consome muita energia. O solar ajuda, mas não substitui um dimensionamento sério.

Pequena cabine a arrefecer pontualmente

Ar condicionado portátil ou pequeno split, desde que haja evacuação de calor correta e gestão dos condensados. Caso contrário, ventilador + wind scoop darão muitas vezes um melhor resultado real.


FAQ — Climatização e ventilação a bordo

Um ventilador chega para uma onda de calor num veleiro?

Por vezes, sim. Um ventilador não baixa a temperatura do ar, mas melhora fortemente o conforto ao acelerar a evaporação na pele e ao evitar o ar estagnado. Com um toldo claro e capôs bem abertos, é muitas vezes o melhor primeiro investimento.

Pode-se usar um ar condicionado portátil doméstico num veleiro?

Tecnicamente, sim, no porto, mas nem sempre é adequado: volume, conduta de ar quente, condensados, ruído, armazenamento e resistência ao sal. Para um uso pontual, um pequeno split portátil é muitas vezes mais lógico do que um monobloco doméstico.

Um ar condicionado sem tubo de evacuação pode arrefecer uma cabine?

Não, não como um verdadeiro ar condicionado. Para arrefecer um espaço fechado, é necessário deslocar o calor para o exterior. Sem evacuação, grupo exterior ou circuito adaptado, o equipamento agita ou humedece o ar, mas não retira realmente o calor do veleiro.

É necessário um ar condicionado 12 V, 24 V ou 230 V num veleiro?

Para uma climatização instalada clássica, o 230 V continua a ser o mais comum no porto. O 12/24 V torna-se interessante para uma pequena cabine ou um veleiro com grande parque de lítio, mas é necessário verificar o consumo, a bomba eventual, o solar e a autonomia esperada.

A climatização marinha pode funcionar ao largo?

Sim, mas raramente sem compromissos. É necessário energia: grupo, parque de baterias muito grande, solar considerável ou sistema DC otimizado. Para muitos veleiros, a ventilação natural continua a ser mais realista ao largo.

Qual é a principal armadilha de uma climatização marinha instalada?

O ruído e a água. Ruído de ventilação, ruído do compressor, ruído da rejeição de água, bomba, condensados. Uma montagem tecnicamente funcional pode ser penosa de viver se não tiver sido pensada para o bordo e para o cais.

A Skysat pode instalar uma climatização marinha?

Consoante o veleiro e o local de intervenção, a Skysat pode estudar um projeto de conforto/energia a bordo e orientar para uma solução adaptada. Para uma verdadeira climatização marinha, é necessário validar a viabilidade, a alimentação, a passagem de casco, a circulação de água, a condensação e a manutenção antes do orçamento.

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Transparência — A Skysat distribui equipamentos de ventilação marinha e soluções de energia a bordo. Ainda não distribuímos todas as soluções de climatização citadas neste artigo. As recomendações acima separam voluntariamente os produtos simples de vender online, as soluções portáteis a testar e as verdadeiras instalações marinhas que devem passar por um pré-estudo.


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