⚠️ Para reter antes de comprar
Uma baliza AIS homem à água não é uma EPIRB/PLB: alerta os barcos ao alcance AIS (algumas milhas), não os serviços de socorro via satélite. Para o largo, é necessário o 406 MHz Cospas-Sarsat (EPIRB ou PLB). Confundi-las significa uma falsa segurança em navegação oceânica.
Em resumo
O essencial em 30 segundos
- Três objetos que NÃO se devem confundir: a PLB (baliza pessoal, 406 MHz satélite, registada em nome da pessoa), a EPIRB (baliza de embarcação, 406 MHz satélite, registada ao veleiro), e a baliza AIS homem à água (homenagem ao homem à água, AIS local apenas — sem satélite).
- A categoria define o acionamento: Cat. 1 = largada automática float-free (largador hidrostático HRU, por vezes chamado « zafe »), Cat. 2 = acionamento manual.
- As funções que contam em 2026: GNSS (posição rápida), AIS (localização local pelos navios próximos), RLS (confirmação de receção Galileo), NFC (teste/configuração via app).
- Uma baliza não codificada ou não registada é uma baliza que atrasa — ou perde — o seu resgate. Este é o ponto que mais tratamos na oficina.
🛠️ Nota de oficina
Skysat distribui, codifica e assegura o serviço pós-venda das balizas (Ocean Signal, ACR, etc.) em Carnac. Este guia indica o que escolheríamos para o nosso próprio veleiro, programa a programa.
1. EPIRB, PLB, homem à água AIS: três objetos, três usos
Esta é a confusão mais perigosa e frequente.
- EPIRB (Emergency Position-Indicating Radio Beacon) — a baliza do veleiro. Emite em 406 MHz para os satélites Cospas-Sarsat (cobertura mundial) + 121,5 MHz para homing. Regista-se ao veleiro. É o alerta de socorro de referência para « o veleiro está a afundar-se / abandonamos o barco ».
- PLB (Personal Locator Beacon) — mesmo princípio 406 MHz satélite, mas registada a uma pessoa, compacta, acionamento manual, sem largada automática. Transporta-se consigo. Ideal como complemento, ou para quem muda frequentemente de veleiro.
- Baliza AIS homem à água — atenção: não emite para satélites. Aciona um alerta AIS local captado pelos navios ao alcance (tipicamente algumas milhas) e faz aparecer o homem à água no chartplotter/AIS deles. Perfeita para recuperar um tripulante caído à água perto do veleiro; não é um meio de alerta via satélite.
Em resumo: homem à água AIS = recuperar um tripulante agora, pelos barcos à volta. EPIRB/PLB = acionar os serviços de socorro mundiais via satélite. Ambos são complementares, não intercambiáveis.
2. Categoria 1 vs 2: largada automática ou manual
Para as EPIRB, a categoria descreve o modo de acionamento:
- Categoria 1 (float-free) — montada num berço com largador hidrostático (HRU) que liberta a baliza automaticamente a ~4 m de profundidade se o veleiro afundar. A baliza flutua e ativa-se sozinha. Indispensável se o cenário « o veleiro afunda depressa, tripulação incapaz » for credível (oceânico, travessia, tripulação reduzida).
- Categoria 2 (manual) — fixada num suporte interior; é um humano que a deve agarrar e acionar. Menos cara, perfeita para navegação costeira onde se mantém o controlo, mas inútil se ninguém a puder agarrar.
Na Ocean Signal, a EPIRB3 é Cat. 2 (manual) e a EPIRB3 Pro é Cat. 1 (float-free) — esta é a principal diferença entre as duas, para além do preço.
3. GNSS, AIS, RLS, NFC: as funções que contam
As balizas 406 MHz modernas não são todas iguais. O que realmente muda a rapidez e fiabilidade do socorro:
GNSS
Posição precisa, rapidamente
A baliza transmite a sua posição precisa nos primeiros minutos, em vez de deixar os satélites triangularem. Indispensável hoje em dia.
AIS
Localização local
Para além do 406 MHz satélite, a baliza aparece no AIS dos navios próximos: um cargueiro ou um vizinho de ancoragem pode localizá-lo antes mesmo dos meios estatais.
RLS
Confirmação de receção
Via Galileo, uma confirmação de receção: um indicador confirma que o alerta foi recebido e localizado. Psicologicamente enorme quando se espera, sozinho, numa situação de sobrevivência.
NFC
Teste & acompanhamento
Teste e configuração via app smartphone (verificar auto-controlo, ler histórico). Prático para acompanhamento.
Em termos de autonomia: mínimo de 24 h de emissão a -20 °C, os modelos « Pro » visando 48 h. A pilha tem uma vida útil (geralmente 7 a 10 anos) a respeitar (ver §5).
A EPIRB3 / PLB3 Ocean Signal acumulam AIS + RLS + NFC; as EPIRB1 / PLB1 são as versões 406 + GNSS « ao essencial », sem AIS.
4. Codificação e registos: a armadilha que custa caro
Este é o tema que mais tratamos na oficina — e aquele que as compras online « ao preço mais baixo » negligenciam.
Uma baliza 406 MHz só está operacional depois de codificada e registada. Em França, três elos:
- MMSI + licença de estação de navio — ANFR. Se o veleiro estiver equipado com VHF/ASN, o MMSI (9 dígitos) e a licença de estação de navio obtêm-se junto da ANFR, online em maritime.anfr.fr. A licença — a guardar a bordo — lista o MMSI e a referência de cada baliza declarada.
- Codificação da baliza. Programação com o indicativo país França + o identificador (o MMSI para uma EPIRB marítima, ou um número de série). Uma baliza comprada no estrangeiro está muitas vezes codificada para outro país → o alerta iria para o centro errado. Skysat recodifica para França (pacote 70 € HT).
- Registo — obrigatório e gratuito. Declaração da baliza no registo nacional das balizas 406 MHz, gerido pelo CNES (FMCC França): registre406.cnes.fr. Aí associam-se os contactos de emergência: é isto que permite aos serviços de socorro identificá-lo — a grande maioria dos alertas são falsos, que uma chamada aos contactos de emergência permite levantar sem mobilizar meios. É uma obrigação regulamentar ao abrigo da divisão 175 da regulamentação de segurança dos navios.
Revenda / mudança de veleiro: uma baliza que muda de mãos deve ser re-declarada; vemos regularmente balizas que ainda apontam para o antigo proprietário.
Comprar a baliza é apenas o início. Codificação + licença + registo = o que a torna realmente operacional — e é precisamente aí que um instalador lhe poupa tempo (e talvez mais).
5. Manutenção: pilha, largador hidrostático, revisão
Uma baliza deve ser mantida — caso contrário não funciona no dia D:
- Pilha — vida útil típica 7 a 10 anos; para além disso, substituição obrigatória (pacote substituição pilha EPIRB1: 233 € HT connosco). Um auto-teste regular (botão TEST / app NFC) não substitui a data de validade da pilha.
- Largador hidrostático (HRU) das Cat. 1 — peça com data de validade (geralmente a cada 2 anos): passado a data, a largada automática já não está garantida.
- Revisão / manutenção em terra (SBM) — para as balizas que o exigem, pacote Shore-Based Maintenance a partir de 230 € HT. Também gerimos a revisão de certas balizas (ex. Kannad).
Em resumo: uma baliza tem uma data de validade, como um salva-vidas. Verificamos a pilha e o largador hidrostático em cada revisão anual do veleiro — este é o reflexo que evita a má surpresa no dia D.
6. Tabela comparativa
| Critério | PLB1 | PLB3 | EPIRB1 Cat. 2 | EPIRB3 Cat. 2 | EPIRB3 Pro Cat. 1 |
|---|---|---|---|---|---|
| Tipo | pessoal | pessoal | de embarcação | de embarcação | de embarcação |
| 406 MHz satélite | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ |
| GNSS integrado | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ | ✓ |
| AIS | — | ✓ | — | ✓ | ✓ |
| RLS (Galileo) | — | ✓ | — | ✓ | ✓ |
| NFC (app) | — | ✓ | — | ✓ | ✓ |
| Acionamento | manual (na pessoa) | manual (na pessoa) | manual | manual | auto float-free |
| Autonomia emissão | ≥24 h | ≥24 h | ≥48 h | ≥48 h | ≥48 h |
| Vida útil pilha | 7 anos | 7 anos | ~10 anos | ~10 anos | 10 anos |
| Preço HT 2026 | 345 € | 570 € | 499 € | 810 € | 945 € |
Preços HT — catálogo Skysat (Odoo), junho 2026. Outras referências no catálogo: ACR GlobalFIX V5 Cat. 2 (835 €), balizas homem à água AIS1 / AIS2 (307 € / 387 €), AIS-SART safeSEA S200 (750 € — o AIS-SART serve para ser localizado a partir de um salva-vidas, outra função), kits de segurança prontos a partir. Codificação França 70 €. Ver também o comparador de telefones satélite marítimos.
7. 5 armadilhas de oficina
Armadilha n.º 1
Confundir homem à água AIS com EPIRB/PLB.
A armadilha n.º 1. Uma homem à água AIS funciona localmente (AIS); para acionar os serviços de socorro no largo, é necessário 406 MHz.
Armadilha n.º 2
Comprar uma baliza codificada para outro país.
Frequente em compras no estrangeiro: o alerta vai para o centro errado. Tem de ser recodificada antes da primeira saída.
Armadilha n.º 3
Nunca registar (ou não atualizar).
Uma baliza não declarada priva os serviços de socorro da sua ficha. Na revenda/mudança de veleiro: re-declarar.
Armadilha n.º 4
Escolher Cat. 2 quando o programa exige float-free.
No oceânico ou tripulação reduzida, se ninguém puder agarrar a baliza, apenas uma Cat. 1 parte sozinha.
Armadilha n.º 5
Esquecer as datas de validade.
Pilha (7-10 anos) e largador hidrostático (HRU) (validade ~2 anos): uma baliza « que parece nova » pode estar fora de serviço. O auto-teste não dispensa o calendário.
8. Qual baliza para que programa
- Costeiro / saídas de um dia, mantemos o controlo → EPIRB1 Cat. 2 (499 €) ou EPIRB3 Cat. 2 (810 €) se quiser AIS + RLS. Uma PLB1 (345 €) como complemento no skipper.
- Oceânico / travessia / tripulação reduzida → EPIRB3 Pro Cat. 1 float-free (945 €): parte sozinha se o veleiro afundar depressa. Para além disso, uma PLB3 (570 €) em cada tripulante de quartos.
- Regata, multi-veleiros, ou « quero que me sigam » → a PLB3 pessoal com AIS/RLS é a mais versátil.
- Recuperação de homem à água (tripulante caído) → é uma baliza homem à água AIS (AIS1/AIS2), para além da EPIRB do veleiro — não em substituição.
E a honestidade da oficina: a baliza mais cara mal codificada vale menos do que uma EPIRB1 de entrada bem registada. A prioridade orçamental é o 406 MHz + a codificação + o registo, o resto é conforto (útil, mas secundário).
9. FAQ
Qual a diferença entre uma EPIRB e uma PLB?
A EPIRB é registada ao veleiro (e pode ser Cat. 1 com largada automática); a PLB é registada a uma pessoa, compacta, acionamento manual. Ambas emitem em 406 MHz para os satélites Cospas-Sarsat. Muitos veleiros têm as duas.
Uma baliza homem à água AIS chega para o largo?
Não — alerta apenas os navios ao alcance AIS (algumas milhas). Para o largo, é necessária uma EPIRB ou uma PLB 406 MHz.
Categoria 1 ou 2?
Cat. 1 = largada automática float-free (o veleiro afunda, a baliza parte sozinha). Cat. 2 = acionamento manual. No oceânico ou tripulação reduzida, a Cat. 1 é fortemente recomendada.
O que é o RLS?
O Return Link Service (via Galileo): uma confirmação de receção. Um indicador na baliza confirma que o alerta foi bem recebido e localizado. Disponível nas EPIRB3 / PLB3.
Tenho de registar a minha baliza? É pago?
Sim, é obrigatório. A baliza regista-se gratuitamente no registo nacional das balizas 406 MHz (CNES / FMCC França) em registre406.cnes.fr, com os seus contactos de emergência. Para um veleiro equipado com VHF/ASN, o MMSI e a licença de estação de navio vêm da ANFR (maritime.anfr.fr). A codificação da baliza, por sua vez, é um serviço técnico — nós realizamo-lo por 70 € HT.
Qual a vida útil da pilha?
Consoante os modelos, 7 a 10 anos. Para além disso, substituição obrigatória. Nas Cat. 1, o largador hidrostático (HRU) também se substitui periodicamente (~2 anos).
Posso comprar uma baliza mais barata no estrangeiro?
Pode, mas estará muitas vezes codificada para outro país: terá de a recodificar para Portugal e re-registar, caso contrário o alerta vai para o centro de coordenação errado. A « boa pechincha » paga-se em risco.
Transparência — Skysat distribui, codifica e assegura o serviço pós-venda das balizas Ocean Signal e ACR na oficina de Carnac (Morbihan). As recomendações deste guia baseiam-se na nossa prática de codificação, instalação e manutenção, não numa ficha de fornecedor. Quando uma solução mais simples chega para o seu programa, dizemo-lo.

