O essencial em 30 segundos
- O alcance VHF é uma questão de horizonte, logo, de altura da antena. A onda VHF propaga-se em vista quase direta: a regra do horizonte rádio dá aproximadamente 2,2 × √altura (m) milhas náuticas de cada lado da ligação.
- Topo do mastro = o padrão para veleiros. Uma antena chicote a 15-17 m domina o ambiente do barco e alcança longe; é a escolha padrão sempre que há um mastro.
- Varandim = socorro ou barco sem mastro. A 2 m acima da água, o horizonte próprio é curto e a ondulação mascara a antena: o alcance prático cai drasticamente — utilizável em navegação costeira, insuficiente em alto mar.
- O cabo coaxial faz ou desfaz a instalação. Em 18 m de mastro, um RG58 dissipa mais de metade da potência emitida; um RG213 cerca de um terço. O cabo é escolhido com a antena, não depois.
- A conetividade é a causa n.º 1 de avarias VHF vistas na oficina: uma junção molhada na base do mastro é suficiente. Impermeabilização sistemática (autoamalgamante + proteção).
Índice
A antena é o que transforma o seu rádio VHF numa ferramenta de segurança útil. Um excelente VHF com uma antena mal instalada vê o seu alcance colapsar; um rádio de entrada de gama bem antenado atinge o seu alcance nominal. A diferença não está no aparelho, está na antena, no cabo e nas conetividades. Para a escolha do rádio em si, veja VHF fixo vs portátil + AIS classe B.
A física da VHF: por que a altura importa
A VHF marítima emite em torno de 156-162 MHz: a onda propaga-se em vista quase direta, sem contornar a curvatura terrestre. O alcance de uma ligação depende, portanto, do horizonte rádio de cada antena. A regra padrão (horizonte radioelétrico, alturas em metros):
alcance ≈ 2,2 × (√h_emissor + √h_recetor) milhas náuticas
- Veleiro (antena no topo do mastro, ~17 m) para cargueiro (antena ~35 m): 2,2 × (4,1 + 5,9) ≈ 22 NM.
- Veleiro (17 m) para semáforo (antena ~80 m): 2,2 × (4,1 + 8,9) ≈ 29 NM.
- Antena de varandim (~2 m) para o mesmo semáforo: ≈ 23 NM em teoria… mas na prática a ondulação mascara a antena, o ambiente do convés (capuchana, equipamento, tripulação) absorve e reflete: o alcance útil cai muito abaixo da teoria.
O desafio não é o alcance teórico máximo, é o alcance prático em condições reais: quanto mais alta a antena, mais limpa a onda sai do ambiente do barco — e mais a ligação resiste ao mar agitado, precisamente quando se precisa dela.
Antena de topo de mastro
A antena no topo do mastro é o padrão para veleiros: um chicote de aproximadamente 1 m, omnidirecional, fixado no topo — idealmente livre da biruta e dos sensores. A nossa referência ativa no catálogo: a antena VHF Navico 1720 (chicote inox 1,1 m), com o seu cabo de mastro de 30 m dedicado.
- Conexão: conector coaxial na base, cabo de qualidade no mastro (secção seguinte).
- Estanqueidade: vedante na base da antena + proteção da conetividade (autoamalgamante).
- Fixação: parafusos em inox, controlados em cada visita ao topo do mastro.
Antena de varandim ou pataraz: uso e limites
Uma antena baixa (varandim de popa, pataraz, mastro de socorro) tem três usos legítimos:
- O socorro — em caso de desmastreação ou de avaria da antena principal. Num programa oceânico, cabear um comutador coaxial de duas posições para uma antena de socorro é uma verdadeira medida de segurança.
- O barco sem mastro — lancha, semirrígido, veleiro de quilha retrátil: a antena de varandim é então a principal, aceitando o seu alcance reduzido.
- O AIS dedicado se a instalação tiver um recetor/transponder separado com a sua própria antena (splitter caso contrário).
Em uso principal num veleiro com mastro, a antena baixa desperdiça a altura disponível: é uma escolha de socorro, não de instalação.
O cabo coaxial
O sinal atenua-se no cabo, e a atenuação é paga em alcance. Ordens de grandeza nas frequências VHF marítimas (datasheets de fabricantes, a verificar para a referência exata):
- RG58 (~6 mm): em 18 m de mastro, mais de metade da potência emitida é dissipada no cabo. A reservar para ligações muito curtas.
- RG213 / RG214 (~10 mm): no mesmo comprimento, a perda cai para cerca de um terço. É o padrão de uma instalação de topo de mastro — temos o RG214/U e o Ultraflex 7 no catálogo.
- Cabos de baixa perda tipo LMR-400/Belden 9913: ainda um nível abaixo em atenuação — relevantes em corrida ou em mastros muito grandes.
A regra da oficina: a diferença de custo entre um cabo medíocre e um bom cabo é irrisória à escala de uma instalação — a diferença de alcance, essa, nunca se recupera. O cabo é escolhido ao mesmo tempo que a antena.
Conetividade estanque
Dois padrões são encontrados: o PL259 (UHF), clássico da VHF de recreio, e o tipo N, mais estanque nativamente, comum em uso profissional. Em ambos os casos, são as junções que decidem a fiabilidade:
- Base do mastro — a junção mais exposta à água: proteção sistemática (fita autoamalgamante, bainha).
- Topo do mastro — vedante sob a antena, parafusos em inox lubrificados.
- Traseira do rádio — aperto a verificar anualmente.
É a causa n.º 1 das avarias VHF que vemos na oficina: uma conetividade molhada causa avarias intermitentes muito difíceis de diagnosticar.
Tabela de configurações
| Configuração | Altura típica | Alcance | Para quem |
|---|---|---|---|
| Topo do mastro + cabo de baixa perda | 15-17 m | A referência — horizonte máximo, margem em condições reais | Todo o veleiro com mastro, oceânico em prioridade |
| Topo do mastro + RG58 | 15-17 m | Horizonte idêntico mas potência amputada pelo cabo | A corrigir: o cabo anula parte do benefício da altura |
| Pataraz / mastro de socorro | 10-14 m | Intermédio | Antena de socorro oceânica (com comutador) |
| Varandim | ~2 m | Fortemente reduzida na prática (mascaramento por ondulação) | Barco sem mastro, socorro costeiro |
Os 5 erros de instalação
- Cabo RG58 no mastro. A economia é irrisória, a perda de alcance permanente.
- Sem proteção autoamalgamante na base do mastro. A água infiltra-se, a conexão degrada-se: avarias intermitentes.
- Antena no meio dos equipamentos do topo do mastro. Biruta, sensores, luzes: a antena deve estar afastada do resto, caso contrário a radiação sofre.
- Cabo coaxial encaminhado ao longo dos cabos de alimentação (guincho especialmente): parasitas no rádio. Separar, cruzar a 90° se necessário.
- Nenhum controlo de ROE após a instalação. A relação de ondas estacionárias verifica o conjunto antena + cabo + conetividades; uma ROE elevada assinala um defeito e prejudica o emissor. Controlo sistemático no final da instalação na oficina.
Três casos de oficina
Caso 1 — Sun Fast 3300, club racing
Antena chicote 1 m no topo do mastro + cabo de baixa perda em toda a altura + conetividades protegidas com autoamalgamante, instalados durante a remastreação de 2024. ROE medida no final da instalação: 1,3:1 no canal 16 — conforme. Alcance verificado para o semáforo local: 18 NM em condições reais.
Caso 2 — Mini 6.50, antena dupla de corrida
Redundância exigida pelo programa: antena principal no topo do mastro + antena de socorro no pataraz, comutador coaxial de duas posições no painel. Nenhuma avaria de rádio na Mini Transat 2025.
Caso 3 — Veleiro 8 m sem mastro (sloop de quilha retrátil)
Antena chicote 2 m no varandim de popa + ligação coaxial curta. Alcance prático verificado de 7 a 9 NM para os ferries locais — limite conhecido e aceito para uso costeiro de verão.
Manutenção anual
- Inspeção visual: chicote intacto, vedante da base estanque, parafusos apertados.
- Controlo de ROE a cada estação; se degradar, inspecionar a conetividade antes de acusar a antena.
- Proteção da conetividade a refazer periodicamente — o ambiente salino acaba por degradar tudo.
- Teste de rádio real antes de cada grande navegação: chamada de controlo, confirmação de clareza.
FAQ
Antena chicote 1 m ou antena longa em veleiro?
O chicote de aproximadamente 1 m (ganho na ordem de 3 dB) é o padrão para veleiros: o seu diagrama de radiação mais «redondo» perdoa o bordo. As antenas longas com ganho superior concentram a energia na horizontal — uma vantagem num barco que se mantém nivelado, um inconveniente num veleiro com bordo.
Quanto tempo dura uma antena VHF?
Uma boa dezena de anos em uso de recreio. O ponto fraco não é o chicote mas a estanqueidade da base e a conetividade — daí a inspeção anual.
É necessária uma antena separada para o AIS?
O AIS emite em canais VHF dedicados (161,975 / 162,025 MHz): uma VHF combinada com AIS integrado (como o pacote B&G V60-B) utiliza uma única antena no topo do mastro. Um transponder AIS separado, por sua vez, precisa da sua própria antena ou de um splitter — é uma questão de arquitetura, não de canais.
É necessário um para-raios?
Num programa oceânico ou em zona de tempestade, é uma proteção pertinente, a montar o mais próximo possível da antena. Em navegação costeira temperada, é uma ponderação — falemos disso no momento da instalação em vez de aplicar uma regra absoluta.
Pode-se medir a ROE sozinho?
Sim, com um medidor de ROE VHF inserido entre o rádio e a antena: emissão breve, leitura. Uma ROE próxima de 1:1 é excelente; acima de 2:1, procure o defeito (conetividade em primeiro lugar). Medimos sistematicamente no final da instalação.
Para ler também
- VHF fixo vs portátil + AIS classe B — a combinação de segurança
- EPIRB vs PLB vs AIS MOB — escolher o seu rádio baliza de emergência
- NMEA 2000: arquitetura e cablagem
- Catálogo de antenas VHF/AIS · Cablagem
Sobre o autor
Pol Conin, Gestor digital na Skysat. Engenheiro de software e empreendedor na área da tecnologia, Pol juntou-se à aventura para levar a Skysat para a era digital. Veja a sua página de autor para a lista completa dos artigos assinados.
Transparência: A Skysat distribui as antenas e cabos citados e instala na oficina em Carnac; a experiência reivindicada baseia-se nas instalações VHF realizadas desde 2018. Isso não altera nem a física, nem os casos em que a antena de varandim é a resposta correta.

